Arquivo da categoria: Romance Histórico
Os Maias
De Eça de Queirós – Editora Atelier
Alguns anos atrás li um artigo do Arnaldo Jabor fazendo uma inteligente comparação entre Eça de Queirós e Machado de Assis. Jabor é um Eciano convicto e sua argumentação excelente. Ele reconhece Machado como no trecho que reproduzo aqui, entre outras reflexões feitas por Jabor:
“… O grande Machado atingiu subtons que Eça nem tentou, por escolha. Machado é mais inglês; Eça é mais francês. Saído das costelas de Flaubert, Balzac e Zola, que ele pós-modernamente chegou até a “plagiar”, Eça funda um realismo caricatural contra as perdidas ilusões ibéricas que passa por traços grossos, pelo riso deslavado, por uma proposital “falta de sutileza” (que resulta depois sutilíssima) na tradição de um realismo quase carnavalizado, sem anseios de transcendência. Machado é mais, digamos, “nauseado”. Deixa-se envolver por um pessimismo que o claro riso de Eça recusa”. (01.04.1997, Jornal O Globo)
Eça de Queirós ou Machado de Assis? Eu confesso que fico com o dois, mas revelo minha preferência por Eça, pelo riso que o gajo me proporciona e sua analise política impiedosa que faz sobre Portugal. Mas a cada um, suas preferências. “Eça” é a minha opinião.
As benevolentes
De Jonathan Littell | Editora Alfaguara
Caros amigos e amigas, venho com imenso prazer indicar um dos melhores livros sobre guerra que já li em toda a minha vida: “As Benevolentes”, de Jonathan Littell . Sim! Sinto-me extremamente entusiasmado. Falo isso feliz por ter indicado esse livro a muitos outros leitores e a receptividade ter sido entusiástica. Existem muitos livros que indico por aqui ou na livraria onde trabalho, e confesso que o mérito de uma sugestão não reside no agradecimento posterior, muitas vezes recebido por quem leu e gostou, mas no prazer propiciado ao outro. Quando se tem a certeza que houve empatia, “aquele” e perfeito entrosamento entre obra e leitor. “That’s it”.
Grande Sertão: Veredas
De João Guimarães Rosa | Editora Nova Fronteira
Começar um ano é renovar planos, expectativas, metas e esperanças. E cada um se organiza como sabe ou como pode. Há listas para todos os tipos e perfis. Alguns recorrem a listas em cadernos pautados ou pequenos moleskines, com desenhos e muitas setas, marcando prioridades, outros colocam seu futuro em planilhas de Excel e os antenados carregam suas metas em modernos smartphones, todos “touch”. “On line, on time”. Eu faço listas de livros em blocos pautados com a tradicional caneta BIC, e defino sempre as três primeiras leituras do ano – e sigo. Depois, o tempo se encarrega de me apresentar outras, amigos sugerem títulos e é dessa delícia, de descobertas e encontros literários, que vive um livreiro e todos que gostam de ler.
Porém, na condição de Livreiro que sou, repito: meu objetivo aqui não é fazer análises literárias, mas pontuar os bons livros para ler, afirmo: não há como não indicar algumas obras, não existe a possibilidade de ignorá-las na crença de que “todo mundo sabe que é um clássico…”. Sim, todos nós sabemos. E por isso, inicio este ano de 2013, indicando no topo da minha lista: “Grande Sertão Veredas”, de João Guimarães Rosa. E acho que assim começamos muito bem. E antes de começar, desejo a todos um bom ano. E vamos lá!
Inverno do Mundo
De Ken Follet | Editora Arqueiro
Foram anos aguardando o retorno do escritor britânico, Ken Follet às prateleiras.
Em 2010, ele voltou em grande estilo com o primeiro livro de sua trilogia “Queda de Gigantes” que li rapidamente. E este ano, o segundo volume já está entre nós: “O inverno do mundo”. Mas antes, para os que ainda não leram o primeiro livro, vou fazer algumas considerações para que o leitor possa pegar essa obra e ler, sem pausas, o primeiro e segundo livro desta trilogia sensacional.
Lembro-me muito do primeiro livro “Queda de gigantes“, pois nada mais saboroso do que ver a ficção “brincando” com a história real, personagens reais conversando com personagens da ficção. O primeiro volume desta trilogia terminou exatamente no momento em que o Tratado de Versalhes foi instaurado e a Alemanha deveria pagar a conta da guerra aos vencedores, no ano de 1924.
O cenário do primeiro termina neste ponto. Mas Algumas considerações sobre a história real precisam ser feitas antes de entrar no segundo livro “O inverno do mundo”.
Expurgo
De Sofi Oksanen | Editora Record
A república da Estônia é um dos três países bálticos, situado na Europa setentrional, constituído por uma poção continental e um grande arquipélago no Mar Báltico. Esta república se situa entre a Finlândia, Rússia, Letônia e a Suécia.
Para entendermos a história do livro Expurgo, de Sofi Oksanen, Editora Record, é necessário contextualizar historicamente esse país e os fatos ocorridos no início do século XX, para que o leitor possa ler sem sofrer “solavancos”. Então, vamos fazer uma viagem no tempo…
Nosso cenário é a antiga Rússia, estamos em plena Segunda Guerra Mundial e depois de existir como um país independente há 21 anos, a União Soviética ocupou e anexou a Estônia, em julho de 1940. No período de 1941 – 1944, a Estônia foi ocupada pelos nazistas alemães. De fevereiro a novembro de 1944, as forças alemãs foram expulsas pelo Exército Vermelho. O regime soviético foi restabelecido pela força e a “sovietização” trouxe diversos danos à sociedade. A coletivização forçada da agricultura começou em 1947, e foi concluída após a deportação em massa de milhares de camponeses e opositores ao regime, em março de 1949.








