Arquivo da categoria: Espionagem
Serena
De Ian McEwan | Editora Cia. das Letras
Antes de falarmos sobre o livro, um conselho: leia esse livro em feriado prolongado, pois não é um livro comum, precisa de um pouco mais de atenção. Em três dias você pode ler esse livro numa boa e com isso valorizar detalhes da história que podem passar sem receber o devido “olhar”. Um outro ponto, apesar de ser um livro sobre espionagem, não obedece aos cânones do suspense.Não tem nada a ver com James Patterson, Grishan e outros ases da espionagem. Na verdade, o livro faz um mix entre alguns temas de cunho intelectual e de espionagem. Mas não para por aí, vai além. Mesmo que o leitor leia na contracapa do livro “um romance de espiões”, “Serena” é um gênero de romance que mergulha na essência do gênero da espionagem, mas adquire um caráter reflexivo que de alguma forma ri de si mesmo.
O Cemitério de Praga
De Umberto Eco | Editora Record
“Se os mundos ficcionais são tão confortáveis, por que não tentar ler o mundo real como ficção?”; “Ou, se os mundos ficcionais são tão pequenos e ilusoriamente confortáveis, por que não tentar criar mundos ficcionais tão complexos, contraditórios e provocantes como o mundo real?” – se pergunta Umberto Eco, no capítulo 6, de “Seis Passeios no Bosque da Ficção”.
“O Cemitério de Praga”, novo romance do autor publicado há um ano na Europa e na América do Sul, já é um best-seller na Itália, Espanha, Argentina e México. Numa espécie de apêndice no final do livro, chamado “inúteis esclarecimentos eruditos”, Eco nos diz que os personagens principais dessa história são pessoas que de fato existiram, sendo apenas o protagonista uma ficção. Trata-se de uma colagem com personalidades reais como Alexandre Dumas, Victor Hugo, Garibaldi, Giuseppe Mazzini, Cavour, Sigmund Freud e muitos outros menos conhecidos.
Os principais acontecimentos históricos relatados no livro – incluindo a unificação da Itália, os “Protocolos dos sábios de Sião”, o caso Dreyfus e a guerra franco-prussiana – formam o pano de fundo da carreira de um falsificador que começa a escrever um diário para reconstruir a sua memória falha. Simone Simonini é o escritor principal do diário, a primeira voz, que recebe a colaboração do Abade Dalla Piccol. Simone Simonini é uma figura que sofre de transtorno dissociativo de identidade.





