Arquivo da categoria: Drama
Quarto
De Emma Donoghue | Editora Verus
“Quarto” foi escrito por Emma Donoghue, uma escritora de ficção contemporânea e canadense que ficou consagrada por esse romance, lançado em 2010. “Quarto” foi considerado o livro do ano em vários meios de comunicação e ficou na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos durante algumas boas semanas. Li esse livro esperando me confrontar com algo “hermético”.
Mas esse livro é simplesmente maravilhoso. Existem muitos livros abordando sequestros e outras violências. Uns contando experiências reais, outros recriando e tornando ficção essas mesmas experiências. Mas o diferencial deste livro está no “ponto de vista”. A abordagem é totalmente diferente.
“Quarto” nos conta a história de uma jovem sequestrada e mantida em cativeiro por sete anos e regularmente estuprada por seu captor e deixada sozinha. Ela fica grávida e dá à luz a Jack. Os personagens são: Jack, um menino que nasceu no cativeiro, em um espaço 10 × 10, que divide com sua mãe; o Velho Nick, o sequestrador, o elemento assustador do romance, sendo dez anos mais velho que a sequestrada, que já beira o fim de seus 20 anos. Apesar do confinamento, Jack é educado por sua mãe através da leitura fornecida pelo velho Nick (sequestrador). Eles possuem um fogão, comida, uma geladeira e podem até mesmo assistir televisão. Sim, eles têm televisão. Mas não é a cabo, então, eles só tem alguns canais. Sua mãe sempre explicou a Jack que o mundo dentro da televisão é imaginário.
Sinfonia em Branco
De Adriana Lisboa | Editora Rocco
“Sinfonia em branco”, de Adriana Lisboa, é um romance aclamado internacionalmente e vencedor do Prêmio José Saramago, em 2003. Confesso, e bato no peito, fazendo um mea culpa, que somente agora, semana passada para ser mais preciso, peguei essa obra e li. Simplesmente, adorei. E, como todas as obras que leio e gosto, sei que ainda lerei este livro novamente, em outro momento, pois há muito tempo que não lia algo tão bom. “Sinfonia em Branco” traz um refinamento e demonstra uma enorme intimidade com a arte de escrever. A história segue o roteiro de um trio: Tomás e as irmãs Clarice e Maria Inês – em torno do qual giram outros personagens, ora na pacata cidade de Jabuticabais, interior do estado do Rio de janeiro, ora nas cosmopolitas Veneza e Rio de janeiro.
Clarice e Maria Inês vivem em uma fazenda no interior do estado do Rio de janeiro, aparentemente tranquila, na década de sessenta e na década de setenta. É a história de uma família onde as verdades feias são mantidas escondidas, em segredo, não ditas, em paralelo com os anos da ditadura brasileira.
Uma história de amor real e supertriste
De Gary Shteyngart | Editora Rocco
Quando me defrontei com o título desse livro, “Uma História de Amor Real e Supertriste” (do autor Gary Shteyngart, que minha ignorância nunca ouviu falar), não posso mentir para vocês leitores, achava que era algo de uma tristeza, daquelas incontornáveis. Talvez, um pacote de lenços de papel fosse necessário antes de começar a sua leitura. Ainda por cima sendo o escritor russo e judeu. Imaginava situações nos pogroms russos, com milhares de inocentes carregando na memória histórias de amores terminados de maneira vil, assassinados por Stálin em algum campo de concentração na Sibéria. Sempre tive por esse tema muito respeito. Até por que meu coração é judeu, embora eu seja um cristão.
Pois bem, o livro não é nada disso. Ele é simplesmente hilariante, sarcástico, ácido, e ao mesmo tempo assustador – apesar de achar que ele trate de uma realidade improvável, embora existam certas similitudes com o que vemos nos dias de hoje.
Indignação
De Philip Roth | Editora Cia. das Letras
Esse é um livro que carrega nas tintas, trazendo à baila uma profunda tristeza e uma profunda “indignação”. Às vezes ouço de clientes a seguinte reclamação: “quero um livro que me faça ter esperanças e que me faça rir, não aguento desgraças”. Claro que o riso fácil também pode nos fazer refletir. “Indignação” traz um outro tipo de riso : o riso sobre nós mesmos – e esse riso tem um nome, chama-se destino.
Vamos ao enredo.
O que as pessoas pensam quando se deparam com fotografias no jornal de homens e mulheres jovens, mortos no Iraque, no Afeganistão…? Tomo como certo que todos sentem piedade e horror quando alguém tão jovem morre em uma dessas guerras inúteis. Será que aqueles que acompanham os corpos chegando em aviões do governo,com todo o ritual de pompa e circunstância, continências em posição de sentido, podem imaginar a vida desses jovens? Ou como lemos as poucas linhas de informações biográficas que acompanham as imagens desses corpos sem vida? A proibição do Pentágono de fazer imagens do regresso de soldados mortos e dos enterros, quem sabe não se destine a nos impedir de nos transformarmos em romancistas por um momento, especulando sobre vidas alheias e sobre a causa da morte desses militares.
As correções
De Jonathan Franzen | Editora Cia. das Letras
O livro “As Correções” sem dúvida alguma ficará entre os romances preferidos que li este ano. Mas precisamos ter muita calma nessa hora, pois ainda existem outros maravilhosos na fila que podem desdizer o que foi dito no calor da emoção de ter lido um grande romance. Considero um dos livros precisos sobre famílias disfuncionais no mundo de hoje. Mas antes de entrarmos no romance propriamente dito, falemos um pouco sobre o autor.
Jonathan Franzen nasceu no estado de Illinois, em 1959, e cresceu em Webster Groves, Missouri, um subúrbio de St. Louis. Ganhou o prêmio Whiting Writers em 1988. Foi nomeado um dos “vinte escritores do século 21” pela revista “The New Yorker” e um dos melhores romancistas americanos pela “Revista Granta”.
Passado o incidente “Oprah”, em 2001, no qual a apresentadora indicou o livro como uma “grande obra”, mas que não poderia ser lido por homens, o que deixou o autor contrariado, mesmo assim, o livro saiu de seus 80 mil exemplares vendidos para o patamar de 800 mil. Críticas e contradições a parte, o livro é ótimo! Se Oprah gostou, ponto para ela. E vamos seguir.








