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Nêmesis
De Philip Roth | Editora Cia. das Letras
Tenho um grande amigo que sempre ri quando publico aqui no blog algum romance de Philip Roth. Ele sempre diz: “De novo!”. E eu respondo: “O que posso fazer se o cara é muito bom no que faz?”. Até já tentei ler algo dele que pudesse dizer “…esse livro não…”, mas ainda não encontrei, e acho que desse autor poderei recomendar todos os seus livros. Ainda não li todos, faltam uns três títulos, mas já me considero um leitor de Philipp Roth. Tento dosar para que o blog não privilegie apenas um escritor, mas Philip Roth é “o cara”. “That’s my man”!
Hoje o livro que trago é “Nêmesis”.
A palavra Nêmesis originalmente significava “distribuição da sorte”, nem boa nem má; simplesmente, proporcional a cada um segundo a velha máxima do merecimento. Nas tragédias gregas, Nêmesis (Deusa) aparecia como a vingadora do crime, não tolerando a arrogância.
Indignação
De Philip Roth | Editora Cia. das Letras
Esse é um livro que carrega nas tintas, trazendo à baila uma profunda tristeza e uma profunda “indignação”. Às vezes ouço de clientes a seguinte reclamação: “quero um livro que me faça ter esperanças e que me faça rir, não aguento desgraças”. Claro que o riso fácil também pode nos fazer refletir. “Indignação” traz um outro tipo de riso : o riso sobre nós mesmos – e esse riso tem um nome, chama-se destino.
Vamos ao enredo.
O que as pessoas pensam quando se deparam com fotografias no jornal de homens e mulheres jovens, mortos no Iraque, no Afeganistão…? Tomo como certo que todos sentem piedade e horror quando alguém tão jovem morre em uma dessas guerras inúteis. Será que aqueles que acompanham os corpos chegando em aviões do governo,com todo o ritual de pompa e circunstância, continências em posição de sentido, podem imaginar a vida desses jovens? Ou como lemos as poucas linhas de informações biográficas que acompanham as imagens desses corpos sem vida? A proibição do Pentágono de fazer imagens do regresso de soldados mortos e dos enterros, quem sabe não se destine a nos impedir de nos transformarmos em romancistas por um momento, especulando sobre vidas alheias e sobre a causa da morte desses militares.
A marca humana
De Philip Roth | Editora Cia. das Letras
A marca humana é um romance escrito em “camadas” de pequenas tragédias. Conta a história de um professor cujo mundo desaba depois que ele é acusado de racismo. Coleman Silk é professor de grego e latim e, por várias vezes, reitor da faculdade na Athena College, no oeste de Massachusetts, onde mudou os hábitos acadêmicos da instituição impondo a competência em primeiro plano.
Como de costume nos romances de Philip Roth, uma pequena sutileza, ou melhor, um pequeno deslize desencadeia todo um processo trágico, só que dessa vez através das forças do “politicamente correto” e do ódio. Esse mal-entendido acontece quando o protagonista, o professor Coleman Silk, percebe que dois dos estudantes que se inscreveram para o seminário nunca aparecem para a aula, e ele resmunga em voz alta: “Será que eles existem ou são fantasmas?” A palavra “Spooks” (fantasmas que assustam) é um termo pejorativo, usado para se referir aos negros. No entanto, Silk se referia ao sentido espectral da palavra, ou seja, “ausência”. Suas tentativas de resolver a controvérsia são recebidas com hostilidade na comunidade acadêmica e o professor se demite, levando consigo a raiva de quem é acusado injustamente.
De Philip Roth | Editora Cia. das Letras
Em menos de 200 páginas, “O homem comum” tem muitos dos ingredientes típicos de Roth: judeus, sexo, e a história que transcorre principalmente em Nova York e Nova Jersey. Entre outros, possui trabalhadores e pais imigrantes com um filho jovem e rebelde que forja um tipo diferente de vida para si mesmo. Em outras palavras, “O homem comum” é um romance com a marca de ‘Roth’ – de forma distinta e única. A história pode ser descrita como uma biografia médica, pois nós seguimos o nosso “homem comum” desde sua operação de hérnia aos nove anos de idade até suas inúmeras cirurgias, em seus últimos anos, para abrir artérias obstruídas.
Ele usava o sexo como uma forma de rebelião contra a inevitabilidade do envelhecimento e da morte. Ele já havia se casado e se divorciado três vezes, teve inúmeras amantes, e as grandes questões envolvendo Deus e religião avultam nesta história. Não há conforto para ser encontrado na religião, nenhum resgate ou vida após a morte. Ele não acreditava em nada. A religião era uma mentira que ele havia identificado cedo em sua vida, e ele achou todas as religiões ofensivas. Mas não só abandonou a Deus, mas também abandonou um bom casamento, uma boa esposa,dois de seus filhos, e ignorou seu irmão mais velho que sempre lhe foi leal e decente devido a um ressentimento mesquinho em relação à saúde inabalável do irmão mais velho, Howie.
Casei com um comunista
De Philip Roth | Editora Cia. das Letras
A pergunta que surge após a leitura do livro, “Casei com um Comunista” é: quando os americanos foram à guerra libertar judeus e comunistas dos campos de concentração sabiam de fato o que estavam fazendo? Philipp Roth acha que não.
Se a liberdade realmente era o objetivo central para aqueles soldados, por que mantiveram as mesmas hostilidades quando voltaram da guerra, no front interno? A pergunta encontra fundamento, pois a medida que a guerra era vencida pelos americanos contra o nazismo, os preconceitos e as perseguições aconteciam de forma descarada na América. Nos Estados Unidos, os negros eram vistos como seres desprezíveis, e aqueles que lutavam contra essa estúpida discriminação foram perseguidos de forma implacável, sendo muitos assassinados. Assim como os judeus,os acusados de comunistas foram perseguidos nessa América Mcartista. Sendo assim, a conclusão a que se chega é que a Europa fora libertada dos campos de concentração, mas na América – os negros, judeus e comunistas, não.








