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Exortação aos crocodilos
Exortação aos Crocodilos é um livro que não chega a ser uma viagem lisérgica, longe disso, mas é contada de tal forma que beira o inconsciente, no qual pequenos sentimentos, emoções, estados de espírito, loucuras humanas, ausência de amor e incertezas estão presentes nessas vozes, vindas da memória mais profunda de um mundo sufocante.
“O corpo era uma sombra do meu corpo movendo-se sem peso nos chinelos porque o corpo verdadeiro permanecia nesta cama ou em Coimbra há muitos anos, perto dos Salgueiros altos, a eu crescida observando a eu pequena ou a eu pequena observando a eu crescida, não sei…”
Nos primeiros capítulos o leitor anda num terreno minado por bombas e estilhaços. É preciso seguir adiante, ir montando um quebra cabeça compostos de imagens de infância, sabores, objetos de estimação, humilhações cotidianas, procurando reconhecer a voz dos personagens, o tempo de suas falas, o espaço a que se referem, o que acontecimentos relatam.
O manual dos inquisidores
O público brasileiro desconhece, a priori, três obras muito importantes de um dos mais renomados escritores portugueses: Antonio Lobo Antunes. As obras a que me refiro são: “O Manual dos Inquisidores”, “A morte de Carlos Gardel” e “Exortação aos Crocodilos”. Esses livros chegaram a mim através do Curso de Literatura Portuguesa que fiz na PUC-RJ, em 2001, que tinha como objeto a literatura neste início do século XXI. Com o objetivo de incitar a curiosidade do leitor em lê-los, início pelo Manual dos Inquisitores.
O Manual dos Inquisidores é uma inquisição do passado sobre o presente obscuro. Esse presente que padece com o peso da memória e sofre a debilidade cotidiana do simples existir. A trama procura desenvolver uma saga familiar fixada na idéia da casa, na figura do pai, o fantasma da mãe ausente e as mudanças impostas pelo tempo.
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